terça-feira, 9 de novembro de 2010

ONG que defende legalização da maconha abre sede no Brasil


A organização não-governamental estadunidense Norml, que defende a legalização da maconha, passará a ter sede no Brasil a partir das próximas semanas. A intenção do grupo é pressionar o Congresso pela legalização da droga. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.
Em depoimento ao jornal, um dos gerentes da Norml, Ross Belvilly, 42 anos, falou sobre como a ONG pretende atuar: "Nossas ações serão, basicamente, acompanhar o noticiário sobre maconha no País, organizar eventos e protestos, além de pressionar os legisladores para aprovar a legalização da maconha", disse, acrescentando que espera firmar contatos em outras cidades, já que a Norml terá sede no Rio de Janeiro. O discurso da Norml deverá ser voltado não para o uso medicinal da maconha, mas para a violência causada pelo tráfico e a venda ilegal. Além disso, a ONG deverá ter atuação filantrópica.

Nova espécie de maconha ganha apelido de Mel Gibson


Segundo TMZ, a droga foi batizada assim nos posto de saúde dos Estados Unidos devido ao seu efeito

Mel GibsonUma nova "espécie" de maconha ganhou o apelido de "Mel Gibson" e está dando o que falar nos postos de saúde que vendem a droga para o uso médico nos Estados Unidos, diz o site TMZ.

Segundo a publicação, o ator, obviamente, não está envolvido com nada disso, mas o apelido veio devido ao efeito da erva. "Uma vez que você fuma (a maconha Mel Gibson), deixa você 'fora de si'", disse um funcionário de um desses ambulatórios que vendem a maconha

Pesquisadores encontram maconha mais velha do mundo

'Tijolo' de erva estava em túmulo de sacerdote na China.
Com cerca de 2.700 anos, maconha ainda manteve princípio ativo.







Um grupo de cientistas afirma ter encontrado em uma tumba na China o estoque de maconha mais antigo do mundo. O "tijolo" de 789 gramas de Cannabis sativa desidratada tem cerca de 2.700 anos e foi cultivado "para uso psicoativo", de acordo com pesquisa publicada no "Journal of Experimental Botany", da universidade britânica de Oxford. 


Segundo os pesquisadores, a erva foi enterrada ao lado do corpo de um homem caucasiano, possivelmente um sacerdote da chamada cultura Gushi, que habitou a região noroeste da China. 

Graças ao clima árido e solo alcalino, a maconha foi preservada. Após análise cuidadosa, os cientistas concluíram que mesmo após quase três milênios, a erva preservou seu princípio ativo.

"Até onde sabemos, essa é a amostra mais antiga que mostra a utilização de canabis como droga", afirma o neurologista Ethan Russo, um dos autores do estudo.

Os pesquisadores não conseguiram determinar se, à época, a droga era fumada ou ingerida, já que não foram encontrados cachimbos ou outras evidências no túmulo do xamã, que teria morrido com cerca de 45 anos.

"Era comum enterrar as pessoas com objetos e mantimentos que poderiam ser utilizados na vida após a morte", explica Russo.



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Cientistas analisam maconha mais antiga do mundo. (Foto: Reprodução)

Brasil está testando maconha para tratamento de parkinson


Compostos produzidos pelo cérebro, que regulam os processos cotidianos do organismo, como comer e dormir, e que agem como uma “maconha natural” quando funcionam acima do normal, são capazes de aliviar os sintomas do mal de Parkinson. A descoberta é uma de duas boas notícias desta semana para os pacientes com a doença. A outra veio de um estudo que envolveu os laboratórios da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto e que encontrou um mecanismo que pode explicar as causas da doença 
Foto: Divulgação
Imagem de microscópio mostra neurônios produtores de dopamina de camundongos (Foto: Nature/A.Kreitzer



A "maconha natural" do cérebro são receptores conhecidos como "endocanabinóides". Nos pacientes com Parkinson eles exitem em menor quantidade, devido à falta de dopamina -- molécula que controla a transmissão de informações entre neurônios, relacionada com sensações de prazer e que também ajuda a gerar endocanabinóides. Nas pessoas com a doença, os neurônios que produzem dopamina são destruídos.

A maconha natural faz efeito, mas isso não significa que a planta em si dê o mesmo resultado. E os autores do estudo Robert Malenka e Anatol Kreitzer, da Universidade Stanford, são enfáticos ao fazer a afirmação. “É muito importante ressaltar isso: fumar maconha ativa todos os receptores de canabinóides ao mesmo tempo em todas as partes do cérebro. Não funciona”, afirmou Malenka ao G1. “O resultado só é obtido quando impulsionamos a ação dos endocanabinóides especificamente nas áreas onde eles estão em falta”, explica Kreitzer.

No trabalho que está na revista “Nature” desta semana, os dois pesquisadores combinaram um remédio já usado para o tratamento do mal de Parkinson com outro composto, experimental, que aumenta os níveis dos endocanabinóides no cérebro. Em camundongos, o tratamento deu resultados em apenas 15 minutos e os animais passaram a se movimentar normalmente.

Os seres humanos com a doença, no entanto, precisam esperar bem mais que 15 minutos. Apesar do sucesso do tratamento com as cobaias, há ainda um longo caminho a ser percorrido antes do composto de Kreitzer e Malenka chegar às pessoas com a doença. “O uso em pacientes ainda deve demorar mais uns 10 anos”, diz Kreitzer. “Precisamos testar se o tratamento é tóxico, se tem efeitos colaterais e descobrir qual é a dosagem certa”, explica.

 A causa
Enquanto a equipe de Stanford focava no tratamento do mal de Parkinson, outro grupo se debruçava sobre as causas da doença. No estudo, descobriu-se que a destruição de neurônios observada nos pacientes com a doença tem causas muito mais complexas do que se imaginava.

Os cientistas já sabiam há algum tempo que uma molécula tóxica, a MPP+, causa a morte de células. O que não se sabia era como ela induzia a destruição dos neurônios produtores de dopamina, causando o mal de Parkinson. Estudando os neurônios de lulas (que são grandes o suficiente para facilitar a pesquisa), o grupo do qual fez parte o argentino Jorge Moreira, da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, descobriu pelo menos um desses mecanismos.

“Quando injetamos MPP+ nos neurônios de lula, algumas dezenas de minutos depois, eles começaram a apresentar problemas”, explica Moreira. Segundo o cientista, a molécula causa um “distúrbio de transporte” -- que ele e seus colegas batizaram de disferopatia, baseado na palavra “fero”, que em grego significa transporte -- que vai acabar matando o neurônio.

“A MPP+ desacelera o envio de proteínas fundamentais para a formação de neurotransmissores a uma área específica do neurônio. Ao mesmo tempo, acelera a saída de outras proteínas dessa mesma área. Com as proteínas demorando para chegar e saindo rapidamente, essa área morre e, logo a seguir, o neurônio”, diz o cientista.

A descoberta desse distúrbio de transporte não é a explicação definitiva para o mal de Parkinson, alerta Moreira. “Explicamos apenas um dos mecanismos envolvidos”, diz ele. “Mas é um passo importante para o futuro das pesquisas.”

Moreira cuidou de todo o processamento do material usado na pesquisa liderada por Scott Brady e Rodolfo Llinás, da Universidade de Illinois em Chicago e do Laboratório de Biologia Marinha de Woods Hole, nos Estados Unidos, que está publicada na edição desta semana da revista “PNAS”, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

No Brasil desde 1976, quando fugiu da ditadura em seu país, ele acredita que o quebra-cabeças do mal de Parkinson pode estar próximo de ser resolvido. “O mal de Parkinson, e as doenças degenerativas do sistema nervoso com um todo, são um problema social muito grande. Por isso há uma grande quantidade de recursos disponíveis para a pesquisa nessa área”, afirmou ele ao G1. “Acredito que é uma questão de tempo”.